06/04/2016

POSICIONAMENTO DAS MARCAS DE MODA


Quando iniciamos um projeto comercial o primeiro passo após conhecermos o cliente, o nosso contratante, é conhecer o cliente do cliente, o seu público alvo ou seja, o segmento de mercado que a marca quer atingir. Em moda este conhecimento ainda é mais relevante na medida em que este setor envolve não só o produto em si e seus atributos tangíveis, mas o que ele representa no imaginário das pessoas: os seus atributos intangíveis.

Os atributos tangíveis são aqueles que podemos sentir e ver com clareza, são "materiais": design, modelagem, textura, cores etc. Já os intangíveis estão embutidos nas estratégias traçadas para as marcas se apresentarem ao mercado.

Imagine a marca como uma pessoa. Todos nós temos características próprias, traços de personalidade que nos tornam diferentes dos demais. O mesmo acontece com as marcas de moda. Elas nascem com uma proposta de serem únicas, com um DNA bem definido principalmente para fincar sua bandeira, enfrentar a concorrência e conquistar a liderança

Posicionar uma marca de moda não é tarefa fácil; a globalização torna os produtos cada vez mais parecidos e os consumidores  hiper conectados, já não são tão fiéis às marcas como até pouco tempo atrás. Trafegam rapidamente entre uma tendência e outra, envolvidos e seduzidos por circunstâncias e acontecimentos que refletem em seu estilo de vida e mudança de opinião.

Então ser diferente é uma árdua tarefa. E o que fazem as marcas? Procuram estratégias de comunicação que agreguem valor aos seus produtos, construindo uma imagem forte capaz de convencer o consumidor de sua proposta inicial, seja ela qual for. Eu sou esportiva? Tudo tem lembrar o lifestyle descontraído, casual, descompromissado, sem comprometer a elegância.

Eu sou sexy? Então minhas modelagens serão reveladoras, minhas estampas exuberantes, sem descambar para a vulgaridade. Não, eu sou clássica. Então minhas cores são mais neutras, modelagens mais amplas e peças atemporais.

Enquanto descrevo estes traços de personalidade de algumas marcas, você já identificou algumas e certamente já lembrou de suas lojas e percebeu que tudo gira em torno destas características, ou ao menos deveria ser. Neste aspecto o Visual Merchandising é o responsável por traduzir a personalidade da marca ajudando na construção de sua identidade e sua imagem.

Quer ver como as coisas acontecem? Foi-se o tempo em que lojas de departamento eram destinadas aos consumidores de baixa renda, com exposições maciças e pouca referência na arquitetura do espaço. O preço era o principal atrativo. Ocorreram mudanças significativas na economia e a cota destinada às compras de produtos de moda emagreceu para uns e ocupou maior espaço para outros.

E o que fizeram as marcas? Detectaram esta mudança e gradativamente mudaram seu posicionamento. Repaginaram suas lojas, investiram em exposições mais atraentes aproximando-se das marcas de médio porte, desenvolveram coleções mais elaboradas assinadas por nomes de peso da moda, avalizando o novo posicionamento. A classe média festejou a novidade!

Hoje algumas já desembarcaram em espaços antes exclusivos das marcas premium, como a Oscar Freire e o Shopping JK Iguatemi em São Paulo, com lojas conceito grandiosas e lá estão exuberantes ao lado de Chanel, Dolce&Gabbana, Christian Louboutin só para citar algumas.

Riachuelo- Oscar Freire-Sp.
NKPARACEA4-1
C&A Iguatemi, SP
E assim gira o mundo da moda: rápido, veloz e sempre antenado, pois o consumidor hoje mais do que nunca é quem traça os rumos, dita as regras e quem souber captar suas mudanças tem mais chance de permanecer vivo neste sensível mercado que certamente é a primeira porta que a crise toca a campainha anunciando sua chegada.

 Leia mais sobre o assunto no artigo publicado no portal O Negócio do Varejo.

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