23/11/2016

LOWSUMERISM: CONSUMO CONSCIENTE

O vídeo inserido neste post foi enviado pelo Prof. Ms. Fábio Fernandes (Ba) e caiu "como uma luva" quando repenso questões ambientais, alto consumo e descarte de produtos. 
Sou daquelas que observo o lixo dos condomínios em minhas caminhadas e fico estarrecida com o desprezo com que moradores descartam sem nenhuma consciência itens que facilmente poderiam ser reaproveitados. Um esbanjamento soberbo, como se quisessem transmitir a mensagem da abundância em que vivem.

Quando há cinco anos mudei a rota segura de minha atividade profissional, atuando como Designer de Interiores e segui por um desvio desconhecido que me levaria ao Visual Merchandising, iniciei minha formação com cursos de extensão e em seguida Pós-Graduação. Neste momento estudar Marketing foi fundamental até por que hoje o VM está inserido no seu composto básico, sobretudo no Marketing de Varejo. E na formação em MKT é obrigatório o estudo do Comportamento do Consumidor, para entendê-lo e lançar a flecha precisa no alvo certo.
Muitas são as teorias sobre o comportamento de compra e uma que já percebia como profissional atenta aos clientes e pronta para suprir suas demandas ainda em projetos residenciais, é a Teoria Psicanalítica que defende a tese do consumo como a expressão de desejos inconscientes, onde o indivíduo projeta nos produtos seus desejos, expectativas, angústias e conflitos, na tentativa de suprir alguma lacuna interna.

Por vezes tentava persuadir clientes sobre o reaproveitamento de pisos, mobiliário e objetos, bastando para tanto uma reforma e tudo estaria como novo. E quantas vezes ouvi: quero tudo novo! Em algumas das intermináveis reuniões de briefing conseguia vencer, outras saia como perdedora. O "quero tudo novo" significava "eu posso pagar por isto" ou "eu quero mudar tudo" e no decorrer dos trabalhos percebia que não era exatamente de reformas na casa que precisavam, e sim de suprir algo bem mais profundo. Nem precisa ser Freud ou Lacan para perceber...  

E no universo da moda isto fica mais evidente. A roupa com sua linguagem sutil, passou a transmitir uma mensagem clara de quem somos e entre seus simbolismos está o status. A marca promove a estratificação social e econômica, dizendo a quantas anda sua conta bancária. Vestir tal marca empodera (palavra da moda rs), coloca o indivíduo em um patamar elevado, no topo da pirâmide da hierarquia da moda. E o que dizer da compulsão? Estes já estão adoecidos, esmagados por tandos conflitos que nem se dão conta e precisam consumir, consumir, consumir para aquietar a alma momentaneamente. 

O meu trabalho é projetar lojas para estimular vendas, sem culpa, pois a cadeia produtiva da moda é extensa e a taxa de empregabilidade é alta. O que me faz refletir é o desperdício, o exagero, muitas vezes provocado pelo processo inconsciente de imitação, que leva o consumidor a tentar ser o que não é e paga um alto preço por isto. O consumo é necessário, mas o consumismo é a atitude mais fora de moda que existe. Te convido a andar na moda.



0'/>